IPCA registra menor alta desde 2025, com queda nos preços dos alimentos

O IPCA registrou alta de apenas 0,07% em julho, resultado que representa a quarta desaceleração consecutiva da inflação oficial brasileira. A queda nos preços dos alimentos foi um dos principais fatores responsáveis pelo resultado.

Os dados foram divulgados nesta terça feira (11) pelo IBGE e mostram que a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,44%, retornando ao intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo governo.

O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o índice havia avançado 0,11%. Considerando apenas os meses de julho, foi o menor resultado desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.

O índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços que ficaram mais caros, foi de 50%. Isso significa que metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE apresentou aumento de preço.

ALIMENTOS

Pelo segundo mês seguido, o grupo Alimentação e bebidas apresentou resultado negativo. Em julho, a queda foi de 0,67%, enquanto em junho havia sido de 0,24%.

Dentro de casa, os alimentos ficaram 1,14% mais baratos, com destaque para os tubérculos, raízes e legumes, que tiveram redução de 16,15%.

O tomate foi o produto que mais ajudou a conter a inflação, com queda de 29,09%. Na sequência aparecem a batata inglesa, com redução de 19,59%, e a cenoura, que ficou 14,41% mais barata.

O café moído apresentou redução de 2,45% em julho. Considerando os últimos 12 meses, a queda chegou a 17,2%, a maior registrada para o produto desde 1994.

De acordo com o IBGE, condições climáticas mais favoráveis contribuíram para aumentar a oferta de alimentos e pressionar os preços para baixo.

ENERGIA

Enquanto os alimentos ajudaram a reduzir a inflação, a energia elétrica residencial apresentou aumento de 3,09%.

O item foi responsável pelo maior impacto individual de alta no índice de julho, com contribuição de 0,13 ponto percentual. Os reajustes aplicados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba influenciaram o resultado nacional.

Para agosto, a expectativa é de que o consumidor tenha algum alívio na conta de luz por causa do Bônus Itaipu, desconto aprovado pela Aneel.

TRANSPORTES

As passagens aéreas tiveram o maior aumento entre os itens do grupo Transportes, com alta de 11,67%.

Em contrapartida, os combustíveis ficaram mais baratos. O preço médio do grupo recuou 1,44%, com quedas de 2,26% no etanol, 1,37% na gasolina, 1,22% no diesel e 0,08% no gás veicular.

META DA INFLAÇÃO

O acumulado de 4,44% em 12 meses voltou a ficar abaixo do teto de 4,5% da meta. O objetivo central é manter a inflação em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O índice havia ultrapassado o limite máximo em maio e junho. Em maio, o acumulado chegou a 4,72%, enquanto em junho ficou em 4,64%.

A meta é avaliada com base nos 12 meses anteriores. Pelas regras atuais, ela é considerada descumprida caso o índice permaneça fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.